- Terça, 26 Agosto 2025 08:15
- Escrito por UFC Informa
Partindo de relações críticas entre inteligência artificial, racismo e exclusão, o professor Júlio Araújo, do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará (UFC), escreveu o livro Necroalgoritmização: notas para definir o racismo algorítmico. A obra foi publicada, em agosto de 2025, pela editora Mercado de Letras (Campinas-SP).
Com base em percursos teóricos, metodológicos e analíticos, o autor nos convida a refletir sobre os efeitos da desumanização a partir do debate entre algoritmos, políticas de morte e racismo. Para isso, ele apresenta conceitos na perspectiva de Achille Mbembe, além de autores como Frantz Fanon e Néstor García Canclini.
“Diferentemente de abordagens que falam apenas em viés algorítmico ou racismo algorítmico, defendo que a necroalgoritmização é um fenômeno mais amplo, que abarca não apenas a atualização digital do racismo estrutural, mas também outros processos de exclusão algorítmica que atingem diferentes comunidades”, destaca o autor.
De natureza interseccional, o livro foi escrito a partir da Linguística Aplicada Crítica (LAC), campo que compreende a linguagem como prática social, atuando como instrumento de transformação. Nesse sentido, o autor faz uma articulação entre algoritmos e racismo no campo da linguagem, numa perspectiva que vai além da discriminação racial.
Segundo Júlio Araújo, a necroalgoritmização atinge outras comunidades vulnerabilizadas, como mulheres não negras, povos indígenas, idosos, crianças, pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+. “Essa perspectiva amplia o debate e coloca a questão ética no centro, isto é, não basta celebrar os avanços da inteligência artificial, é preciso perguntar quem é beneficiado e quem é prejudicado por essas tecnologias”, explica.
Na computação, algoritmo é um conjunto de instruções e regras definidas para realizar uma ação ou resolver um problema. Na internet, os algoritmos organizam e processam grandes volumes de dados, selecionando e entregando ao usuário as informações mais relevantes com base em comportamentos, preferências e histórico de interações.
Em parceria com a editora, o autor vem realizando uma série de lançamentos em instituições de educação públicas e privadas, ampliando o alcance do debate sobre racismo algorítmico e necroalgoritmização. Para o leitor interessado no tema, a obra pode ser adquirida diretamente no site da editora.
O professor afirma que iniciativas como essa ajudam a desnaturalizar a ideia de que os algoritmos são neutros ou meramente técnicos. “A partir da Linguística Aplicada Crítica, mostro que os algoritmos são textos performativos, carregados de escolhas discursivas e políticas, que podem perpetuar hierarquias coloniais e desigualdades estruturais”, ressalta o professor.
SOBRE O AUTOR - Além de docente de graduação em Letras da UFC, Júlio Araújo é professor do Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFC e bolsista de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Ele também é coordenador do grupo de pesquisa Digital (UFC/CNPq) e do Laboratório de Letramentos e Escrita Acadêmica (LEA).
Júlio Araújo é autor das obras Constelação de gêneros: a construção de um conceito (Parábola Editorial, 2021) e Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender? (Parábola Editorial, 2016). Ainda em 2025, o professor prevê a publicação de seu primeiro romance, O Último Algoritmo, pela Editora Letramento (Belo Horizonte-MG).
Nos últimos anos, ele vem publicando ensaios que dialogam diretamente com o tema da necroalgoritmização, como "O algoritmo é um texto", na revista Texto Livre (UFMG); "Racismo algorítmico e microagressões nas redes sociais", na revista Domínios da Linguagem (UFU); e "Racismo algorítmico e inteligência artificial: uma análise crítica multimodal", na revista Linguagem em Foco (Uece).
Fonte: Júlio Araújo, professor do Departamento de Letras Vernáculas da UFC - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.