Última noite do Ciclo de Colações de Grau 2025.2 em Fortaleza soleniza momento de transição e acena para futuros possíveis

Durante todo o ano, o prédio da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC) recebe vários eventos. Mas nenhum preenche os corredores com tamanha alegria e emoção quanto as colações de grau. E, muito embora cada formando tenha sua história, há sempre aspectos que se repetem. Invariavelmente, são dias de sorrisos, fotos, de escolher as melhores roupas, de abraços e choros emocionados. De famílias e amigos presentes ou lembrados. Sobretudo, de um sentimento profundo de realização e conquista, que merece ser celebrado.

Não foi diferente nesta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, durante a terceira e última noite do Ciclo de Colações de Grau de Fortaleza, que reuniu 531 concluintes dos cursos ofertados pelo Centro de Humanidades (CH); da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (Feaac); e da Faculdade de Educação (Faced).

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Mas para além dos ritos e comemorações, os jardins da Reitoria e a Concha Acústica também foram palco de duas ideias que, felizmente, repetem-se a cada ano e que fundamentam o próprio conceito de universidade pública: um diploma não significa apenas capacitação profissional; tampouco representa uma conquista individual.

Para Alan Sousa, de 25 anos, formado em Ciências Contábeis, a noção de esforço coletivo sempre foi clara, palpável até. Cadeirante, ele ressaltou as obras de acessibilidade feitas no prédio da Feaac quando da sua chegada. “A professora Roberta (de Alencar) era a coordenadora quando entrei no curso. E nos primeiros dias ela já perguntou o que eu precisava para me sentir confortável. Então foram providenciadas várias modificações. Ajeitaram rampas, pisos para dar acessibilidade a salas, banheiros e outros locais”, recordou o concluinte.

Políticas de acessibilidade no transporte público também teriam sido bem-vindas para Alan, que ia para a faculdade todos os dias de ônibus. “Passei muita dificuldade com ônibus, foi bem sofrido. Mas minha mãe sempre esteve comigo. Então hoje é um dia muito feliz, um prêmio, uma etapa concluída com muito orgulho”, declarou.

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SONHAR JUNTO – Quem também compreendeu muito rapidamente a potência da articulação coletiva foi Guilherme Eric de Macedo, formado em Letras-Português/Inglês. Ainda no terceiro semestre, ele se juntou a outros colegas de classe e também da Universidade Estadual do Ceará (Uece) para criar o Curso Pré-Vestibular Paulo Freire, no qual ofereciam aulas gratuitas tanto para estudantes do ensino médio quanto para adultos interessados em ingressar no ensino superior.

O projeto tem atuação no Jangurussu, bairro periférico de Fortaleza. “É um monte de estudantes que se juntou porque pensa a educação da mesma maneira e entende ser importante, já que estão na universidade, ajudar outras pessoas a também acessar esse lugar”, resume Guilherme.

Agora formado, ele segue atuando pontualmente no cursinho, mas já está envolvido em outra iniciativa, o Literatura se faz na praça. “É um projeto que estou tocando junto a outros dois amigos psicólogos, de leitura em roda que fazemos na Praça do Polo, no Eusébio, mensalmente”, explica. 

O protagonismo de Guilherme em causas sociais foi forjado sobretudo dentro do movimento estudantil na UFC. “Por meio dessa atuação pude conhecer várias cidades, em fóruns e congressos da União Nacional dos Estudantes. E isso tudo foi ajudando a nos construirmos como pessoas”, avalia. Não por acaso, os planos para o futuro incluem retornar à UFC, como aluno de mestrado. “Já tenho um projeto no forninho”, adianta.

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RETORNO – Enquanto Guilherme se prepara para o próximo edital de seleção, Raiane Alves comemorou o diploma da graduação em Ciências Sociais junto com sua aprovação no mestrado do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFC. “Estou muito animada, realmente me encontrei na Sociologia. Então vou continuar por aqui mesmo depois da colação”, brincou a formanda.

Ao longo da sua trajetória na graduação, Raiane destaca a importância do Programa de Educação Tutorial (PET), do qual foi bolsista. “Tive acesso a essa política, que me desenvolveu muito enquanto pesquisadora e professora”, conta – à época, ela também cumpria o estágio docente, obrigatório para cursos de licenciatura.

Em um tipo de “movimento inverso”, o formando Leandro Xavier, de 51 anos, decidiu voltar aos bancos da graduação mesmo tendo mestrado em Ciências Sociais. Professor do curso de Gastronomia na UFC, a paixão pela língua francesa levou-o primeiro às Casas de Cultura Estrangeira, onde completou todos os níveis de formação. Até que, em 2019, entrou como graduado no curso de Letras-Português/Francês.

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“É uma felicidade muito grande ser professor e, ao mesmo tempo, estar nesse outro lugar, de estudante. Além da minha paixão pelo francês, também fui motivado por essa curiosidade de aprender cada vez mais”, contou Leandro.

Para ele, a experiência na nova graduação agregou bastante para sua atuação como docente. “Tive uma troca bacana com todos os professores da Letras, aprendi novas metodologias em termos de sala de aula, que levei para minhas disciplinas de metodologia, de antropologia da alimentação. Foi um aprendizado muito rico”, completou.

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VALORES – No discurso que abriu a solenidade, a formanda Thais Alves Silva, do curso Letras-Espanhol, destacou o significado do diploma não apenas como registro de capacitação técnica, mas de superação e amadurecimento cidadão e humanístico.

“O mundo precisa de profissionais competentes, mas, acima de tudo, de pessoas conscientes, éticas e comprometidas com o bem coletivo. O futuro não é promessa vazia: é obra. É decisão diária. É construção coletiva. Há potência em cada um de nós. Há propósito em nossos passos”, resumiu a jovem, visivelmente emocionada.

Na sequência, a professora Adriana Limaverde, da Faced, representando os colegas discentes, reforçou a necessidade de exercitar os valores desenvolvidos ao longo da formação universitária. “Além do conhecimento adquirido, nunca se esqueçam da humanização. Reconheçam as injustiças cometidas em nome de um sistema capitalista perverso. Não coadunem com o ódio diante de pensamentos divergentes. A diferença faz parte da humanidade”, pontuou.

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Por fim, no discurso que sempre encerra a solenidade, o reitor Custódio Almeida reforçou a importância da experiência universitária e a articulação coletiva que a torna possível. “Aqui vocês aprenderam conteúdos, métodos e técnicas; adquiriram habilidades e competências. Mas, mais do que isso, aprenderam a pensar. E pensar é um ato radical de liberdade, de autonomia e de emacipação”, resumiu o gestor.

“O fato de vocês estarem aqui hoje exigiu também políticas públicas consistentes, uma universidade comprometida com a inclusão e que acredita que o conhecimento deve ser um direito, e não um privilégio”, emendou, mencionando os 14 anos da Lei de Cotas, fundamental para a diversificação do perfil de estudantes na UFC.

O ciclo de colações de grau 2025.2 segue durante o mês de março nos campi da UFC no interior, com solenidades em Sobral no dia 4; Crateús no dia 6; Russas no dia 10; Quixadá no dia 11 e Itapajé no dia 17. 

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Fonte: Cerimonial da UFC – fones: (85) 3366.7313 e 3366.7314