Liga Fisioneuro da UFC divulga atendimento gratuito a pacientes com Doença de Parkinson acompanhados pelo Hospital Universitário
- Sexta, 10 Abril 2026 10:49
- Escrito por UFC Informa
Celebrado em 11 de abril, o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson foi estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1998 com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a doença e incentivar ações que impactem positivamente o futuro de pacientes, suas famílias e redes de apoio.
Nesse contexto, a Liga Fisioneuro, vinculada ao Departamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Ceará (UFC), está recebendo inscrições de pacientes com Doença de Parkinson já acompanhados pelo Ambulatório do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC) para receber gratuitamente avaliação e tratamentos voltados à melhoria do equilíbrio e à redução do risco de quedas. As vagas são limitadas e as inscrições são exclusivamente por formulário online.

Entre a população idosa, quedas são a principal causa de lesões, incapacidades e mortalidade relacionada a lesões. Esse cenário torna-se ainda mais desafiador quando o idoso enfrenta alguma doença degenerativa, como Alzheimer e Parkinson. Ao afetarem os sistemas cognitivo e motor, essas doenças prejudicam a avaliação de riscos e a tomada de decisões, o equilíbrio, a mobilidade e a percepção do ambiente, entre outros aspectos, aumentando a probabilidade de queda em até 80%.
“Pessoas com Parkinson têm alterações do equilíbrio em função dos sintomas da doença, principalmente a lentidão motora. Se eles se desequilibram, não conseguem rapidamente se restabelecer. Então a ideia, durante o atendimento e acompanhamento, é realizar treinos com alguns exercícios e orientações para casa, para que consigam ter uma rotina com o menor risco possível”, resume a professora Lidiane Oliveira Lima, coordenadora da Liga Fisioneuro.
Para isso é feita uma avaliação de cada paciente. “Nós avaliamos o equilíbrio, as condições de saúde de maneira geral, em qual contexto ambiental estão inseridos, como é a casa em que habitam, se essa casa oferece adaptações que permitam prevenção de riscos”, detalha a docente.
Lidiane ressalta que todo o serviço é gratuito, e que pacientes podem e devem retornar sempre que houver uma nova necessidade. Mas, não raro, a assiduidade no acompanhamento costuma ser impactada pela situação socioeconômica. “Ela é determinante para o acesso à saúde. No caso de pessoas com doenças degenerativas, além da dificuldade motora, muitos têm dificuldades de pagar transporte até o laboratório”, lamenta.
O atendimento da Liga Fisioneuro é feito às segundas-feiras, não só no ambulatório de fisioterapia das ilhas do HUWC, mas também no Laboratório de Fisioterapia Neurofuncional, no Departamento de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da UFC, onde há mais recursos de infraestrutura e materiais. Interessados devem preencher o formulário online.
CONHEÇA MAIS – Criado em 2016, o Grupo Fisioneuro tem como objetivo principal desenvolver ações de promoção e recuperação funcional da saúde de adultos com disfunções neurológicas e capacitar estudantes de Fisioterapia e fisioterapeutas no atendimento a pacientes com desordens neurológicas, incluindo Acidente Vascular Cerebral (AVC) e doença de Parkinson. O atendimento é ambulatorial, realizado no Laboratório de Fisioterapia Neurofuncional da UFC (campus Porangabuçu).
O grupo também desenvolve ações de educação e prevenção na atenção primária em postos de saúde da cidade de Fortaleza. O laboratório fica na rua Coronel Nunes de Melo, 1127, térreo – Departamento de Fisiologia e Farmacologia.
PESQUISA – A partir do mesmo entendimento, de que viver com Parkinson exige, além de tratamento medicamentoso, conhecimento e adaptação, pesquisadores do HUWC estão conduzindo um ensaio clínico que utiliza tecnologia educativa para transformar o cotidiano de pacientes nos estágios leves a moderados da doença.
Projeto de mestrado de Rayane Rodrigues, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas (PPGCM) da UFC, o trabalho é coordenado pela geriatra Danielle Pessoa e pelo chefe do serviço de neurologia Pedro Braga Neto, ambos do HUWC. A proposta é comparar duas estratégias de uso do manual educativo “Viver com Parkinson”, desenvolvido para orientar pacientes e familiares sobre aspectos essenciais da doença, como sintomas motores e não motores, tratamento medicamentoso e prática de exercícios físicos.
“Em uma das estratégias, os participantes realizam leitura supervisionada em encontros presenciais semanais, com orientação de uma enfermeira e discussão em grupo. Na outra, os pacientes fazem leitura individual em casa, acompanhada por meio de checklist”, explica Danielle Pessoa.
O objetivo é identificar qual dessas abordagens gera maior impacto na autogestão da doença e em indicadores importantes para a vida dos pacientes. Entre os desfechos avaliados estão qualidade de vida, qualidade do sono, desempenho físico, nível de atividade física e medo de quedas.
A pesquisa prevê a participação de 80 pessoas com diagnóstico de Parkinson, com idade a partir de 40 anos. A hipótese é que o compartilhamento de experiências e a orientação presencial em grupo fortalecem a compreensão da doença e estimulam práticas de autocuidado.
Fonte: Liga Fisioneuro, vinculada ao Departamento de Fisioterapia da UFC – e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.







